Dia Nacional da Segurança Infantil em Vila Boim
Saímos de Lisboa antes das 8h da manhã com a intenção de assistirmos à chegada da Caminhada que a Escola Básica de Vila Boim tinha decidido organizar para dar o pontapé de saída do Dia Nacional da Segurança Infantil (DNSI) 2026.
Quando cortamos da EN4 para entrar na povoação fomos travadas pelo sorriso da Agente da GNR que fechava o grupo de caminhantes de regresso ao espaço onde as atividades, previamente decididas, iam ter lugar.
Com música e dança, com um piquenique partilhado, com muitos familiares a terem tempo de qualidade com as suas crianças, mas sobretudo com muita brincadeira livre a dar asas à criatividade que pintou de cor o espaço que os alunos elegeram.
No final, ainda houve espaço para a sensibilização da miudagem para a saúde oral.
O orgulho da Diretora do Agrupamento D. Sancho II (Elvas), Fátima Pinto e da Professora Coordenadora da EB de Vila Boim, Cristina Firmino era visível.
Fátima Pinto atribui ao DNSI “a importância de sair do currículo e trazer informação para dentro do currículo” e realça a intencionalidade da iniciativa e o foco das atividades que considera serem o que mais valoriza por acreditar que os mesmos vão ter reflexo na aprendizagem formal e integral.

Cristina Firmino espera que “o reflexo de todo o convívio que se viveu passe para a comunidade, nomeadamente, a dinâmica com os pais, o ver também as forças de segurança de uma outra maneira — já vi aqui os agentes a participar nas brincadeiras e nos jogos dos miúdos — e sobretudo, criar memórias”.
A Professora Coordenadora considera que “a vontade de proteger as crianças, por parte dos pais, as coloca numa redoma, o que não contribui de forma positiva para o desenvolvimento delas” mas regozija-se com a proibição do uso de telemóveis em contexto escolar que diz ter ajudado a trazer novamente as brincadeiras de pátio para o recreio escolar e desenvolver competências ao nível do relacionamento — olhar nos olhos, brincar, o toque — “cuja perda que se verificava estava a trazer consequências graves”.
Competências que a pequena Joana tem mais que adquiridas! Diz-nos que gosta de brincar em todo o lado, sobretudo ao “apanha, apanha”. Mas, valoriza muito, uma partida de UNO com a mãe. Para ela, uma rua perfeita, era uma rua em que as crianças pudessem sair de casa para brincar, levar brinquedos e desenhar no chão.

A Professora Tatiana Oliveira, responsável pela inscrição da EB de Vila Boim no Dia Nacional da Segurança Infantil, acredita que “o brincar é a base de tudo. Se eles não souberem brincar, se não souberem explorar, a criatividade também fica comprometida, até o apanhar de um lápis fica comprometido pela falta de motricidade e não conseguem organizar ideias”.
Há 4 anos que o DNSI é comemorado na Escola de Vila Boim e, portanto, há alunos no 4º ano que, desde o 1º, já esperam com ansiedade pela data, porque a associam à realização de atividades diferentes e sabem que vão escolher e fazer aquilo que mais gostam.

Tatiana garante que os alunos levam o espírito do DNSI para outros dias e enternece-nos quando nos conta que o ursinho GOBI (e já colecionaram 4!) é um companheiro de brincadeiras ao longo do ano e até chega a ir dormir a casa dos vários amiguinhos!

A Professora assume-se fã da APSI. Só temos uma coisa a dizer: é recíproco.
A Avó Maria, com netos e bisnetos de todas as idades como, orgulhosamente, nos refere, considera a celebração do DNSI uma mais-valia, não só pelas crianças como para os pais e para os avós. Recorda a infância em que brincar era constante e natural, sem necessitar de incentivo, enquanto hoje diz que as crianças têm de contar com os professores para reaprenderem a brincar.
Afirma que as principais razões das crianças não brincarem na rua se prendem com a própria tipologia da habitação (viverem em prédios), com o trânsito automóvel e com o medo de raptos.
Este último receio também é partilhado por uma das três simpáticas e alegres mamãs que se disponibilizaram a conversar connosco. A Mãe Dália refere que a proximidade à fronteira com Espanha e a facilidade com que uma criança pode ser levada a impede de dar mais liberdade à filha, embora no seu caso, o facto de viverem numa quinta lhes possibilita um maior contacto com a natureza e o ar livre.
Estes e outros receios levam a Mãe Patrícia a fazer um “mea culpa” coletivo quando afirma que são a principal razão das crianças brincarem menos nas ruas e nos espaços públicos. Receios que a Mãe Cátia admite que são, muitas vezes, exagerados e das suas próprias cabeças e deixa uma nota de otimismo, que as três subscrevem, que é preciso encontrar um equilíbrio para que as crianças não saiam prejudicadas.

Poderia pensar-se que o facto de estarmos num meio mais pequeno possibilitaria às crianças uma maior liberdade, até ao nível das deslocações para a escola, mas num grupo de 8 crianças, apenas a Maria do Carmo vai a pé para a escola, as restantes vão todas de carro com os pais, embora algumas considerem que a distância não seria impeditiva e riem quando lhes perguntamos porque acham que é essa a opção e dizem que “umas vezes é porque está a chover, outras é porque está muito calor!”.

O grupo é unânime na escolha de como preferiam fazer o percurso Casa—Escola: a pé, de bicicleta ou de trotineta, são as respostas prontas.
10 anos de DNSI, ainda nos sabem a pouco e o caminho, apesar de estar a ser trilhado com consistência, está longe de estar concluído.
As famílias e as escolas estão dispostas a contribuir para ambientes mais amigos das crianças, estas anseiam por mais liberdade e autonomia, só faltam os nossos decisores responderem à chamada e aderirem ao espírito do DNSI e ao que o mesmo defende.
É por isso que, citando a Diretora Fátima Pinto:
“Para o ano queremos mais!”
Obrigada a todos os envolvidos pelo vosso simpático acolhimento e por trilharem este caminho ao nosso lado.


©APSI2026




























